
Para o mundo político, até o presidente Lula teria sido avisado por Wagner da "Operação Expresso"
Se for o seu desejo, Jaques Wagner (PT) terá que se esforçar muito para tentar desvincular-se politicamente da Operação Expresso, a ação policial deflagrada na terça-feira pela polícia baiana para apurar denúncias de corrupção na Agerba que atingiu em cheio o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), adversário declarado do governador nas eleições estaduais de 2010.
No mundo político baiano, a interpretação do PMDB de que a Operação tem como objetivo eliminar a candidatura de Geddel da corrida sucessória está praticamente consolidada, apesar do esforço de agentes do governo, do próprio Wagner e do PT de buscarem tratar a questão como uma investigação meramente policial na qual o nível de ingerência do governador teria sido nulo.
No que foi considerado um esforço desesperado para tentar separar a administração Wagner da Expresso, o líder do governo na Assembleia, Valdenor Pereira (PT), chegou a declarar, em pronunciamento na Assembleia, ontem, que todos os presos eram “pessoas de caráter”. O governador também teria ligado para o deputado estadual Ronaldo Carletto (PP), cujo irmão também foi preso na mesma Operação, para desculpar-se.
Para políticos baianos que transitam em Brasília, pelas características da ação, seu forte efeito negativo sobre o partido de Geddel e o péssimo nível a que chegou a relação do ministro com Wagner, é praticamente impossível que o governador não monitorasse a Operação e, inclusive, dela não tivesse dado conhecimento ao presidente Lula, que passou pela Bahia na semana passada.
Eles chamam a atenção, inclusive, para o fato de o “golpe” ter sido “aplicado” depois que divulgou-se que o ministro teria tido um encontro com o governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato presidencial do PSDB, praticamente no mesmo período. No esforço de convencer a opinião pública de que foi vítima de uma grande armação política, o PMDB levantou vários elementos.
Coletou desde informações de que o irmão da juíza que patrocinou a ação no campo judicial é assessor do secretário estadual de Justiça, Nelson Pelegrino, a fatos como o de que, apesar de terem passado quase três anos no governo, só agora, depois que deixaram a administração, os aliados de Geddel terem sido surpreendidos com as denúncias de envolvimento em irregularidades e a devassa em suas vidas.
Entre os vários “indícios” colhidos pelo partido para tentar provar a conotação política da Expresso, um teria chamado a atenção. Ontem, um dia depois que as prisões foram efetuadas, quando o PMDB se articulava para responder ao “ataque” e prestar esclarecimentos à mídia, o governador usou o blog do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, para mandar um recado aos peemedebistas.
Na entrevista, em síntese, Wagner deixava a porta aberta para um retorno da legenda ao governo, desde que assim os peemedebistas solicitassem, no que foi interpretado nos meios políticos como uma mensagem indireta ao líder Geddel de que o governador tinha seu partido e seus membros sob absoluto controle, mas, em última instância, poderia lhes conceder o benefício de um acordo.
No dia anterior, o mesmo jornalista da Folha, cuja cobertura sobre fatos políticos baianos seria até agora inédita, já havia publicado informações detalhadas sobre a “Operação Expresso”, como a do nome do irmão do deputado do PP preso, com uma análise precisa sobre seu impacto político no relacionamento entre PT e PMDB, o que levou à suposição de que seguramente fora munido com informações por parte do governo.
A tentativa do governador de livrar suas impressões digitais de todo o processo prosseguiria no dia de hoje, quando, mais uma vez falando para a mídia de fora do Estado e recorrendo, surpreendentemente, a um conceito étnico, Wagner declarou ao blog do jornalista Lauro Jardim, da Veja, que, como ”judeu”, sabe o que é perseguição e, por isso, não perseguiria os adversários.
Fontes : Politica Livre