É esperada para esta sexta-feira (140 a divulgação de pesquisa Vox Populi encomendada pela Band sobre a preferência do eleitorado baiano para o governo do Estado e Presidência da República em 2010. Em nenhum momento me preocupei em saber dos números, embora a casualidade fez com que os resultados chegassem em minhas mãos. Jaques Wagner e Paulo Souto estão tecnicamente empatados - Souto tem a vantagem de 1% - e o ministro Geddel vem terceiro lugar com 13%.
Os três atores desse espetáculo político sabem mais do que eu sobre a inutilidade das pesquisas, faltando ainda um ano e alguns poucos meses para o pleito. Não quero, sob nenhuma hipótese, desmerecer o trabalho dos institutos, mas tentar desmistificar uma suposta realidade. Ainda bem que estamos tratando com três personalidades que conhecem profundamente as disputas eleitorais. E todas elas foram uma espécie de vítima das projeções. Jaques Wagner "sofreu" o prazer de constatar que era governador contra todas as previsões em 2006.
Paulo Souto teve a infelicidade de comemorar antecipadamente a derrota nas urnas. Talvez tenha comprado as champagnes, mas certamente nem as bebeu. Talvez as tenha substituído por uma cachaça daquelas infernais que nocauteia o sujeito e o deixa com dores terríveis de cabeça por pelo menos quatro anos. Já Geddel encontra-se no meio termo. Têm sucessivos mandatos como deputado federal, mas só agora parte para a disputa majoritária. Mesmo assim, é raposa velha. Conhece muito bem as experiências mal sucedidas dos seus dois adversários.
Enfim, como podemos constatar, se pesquisa ganhasse seria eu (ou talvez o meu sobrinho) o governador desta terra. De qualquer modo, há um indicativo no mercado eleitoral que deve ser, ao menos, olhado mesmo com alguma reserva. O governador (que já vem se automonitorando, digamos assim) precisa avaliar-se com mais cuidado. É notório que nos últimos meses Wagner tem ampliado suas visitas ao interior baiano, levando obras e serviços.
Falta-lhe, no entanto, uma grande obra, uma marca que faça lembrá-lo por onde ele andar. Além disso, é necessário que amplie logo sua base política, que crie tentáculos por todos os vilarejos baianos. Isso ele também vem fazendo. Paulo Souto, por sua vez, deve estar animadíssimo, embora no fundo venha a concordar com a tese de que pesquisa é sempre bem vinda desde quando você mantenha um olho aberto e o outro também. Souto tem aproveitado para fazer críticas contundentes ao trabalho realizado pelo Palácio de Ondina. O ex-governador jogo duro e fere (ou busca ferir) Wagner bem no âmago. O que é bom uma vez que deve servir como estimulante para o petista. Já o ministro Geddel está de olho na movimentação política. Ele tem um campo aberto para correr. O lógico é que permaneça firme com a sua candidatura.
Caso contrário, pode firmar aliança com Souto mais lá na frente na esperança de liquidar a fatura no primeiro turno, independentemente do que as pesquisas venham a dizer. Pessoalmente, como já afirmei aqui, não acredito nelas. Está muito cedo para mexer com uma questão tão delicada. Para os crentes, aconselho que vão em frente, mas cuidado para não bater a cara no primeiro poste que encontrarem pela frente.
Artigo publicado na coluna Janio Lopo na Tribuna da Bahia desta sexta-feira (14).