sábado, 1 de agosto de 2009

Marketing...

Seria um jogo de marketing? Ou um puxão de orelha do presidente Lula? Afinal, somente nas últimas duas semanas, Wagner teve duas audiências com o presidente. Todos tem quase certeza que a pauta das reuniões era única: o racha com o PMDB estadual. Mas, os bastidores dão conta de que apesar de chamá-lo "amigo, companheiro", Lula teria repreendido o governador em prol da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - que com a candidatura de Geddel e Wagner, a petista teria dois palanques no Estado. Tanto Wagner quanto sua assessoria negam: as reuniões seriam para falar sobre investimentos na Bahia. Ok. Não Importa. O governador terá que suar a camisa, se quiser, reverter à situação incômoda. Primeiro, seria se redimir com o clã dos Carneiros. Isso mesmo, o ex-governador e atual senador João Durval (PDT) que percorreu quase toda a Bahia ao lado de Wagner pedindo votos e depois das eleições nem sequer recebeu um telefonema de agradecimento ou qualquer outro tipo de conversa. Ao contrário, "como agradecimento", viu seu filho (o prefeito João Henrique) ser defenestrado pelo governador.

Em segundo, seria convencer o PMDB a renovar sua aliança. Aí, já são outros quinhentos... O partido - como várias outras siglas que o governo tenta cooptar para sua base de sustentação e garantir a reeleição de Wagner - não esquece das eleições de 2008, considerada pelos peemedebistas como uma traição dos petistas - já que para selar um acordo em prol da reeleição de João, conseguiram emplacar mais duas secretarias, além das duas que já presidiam. Era o acordo para a repactuação, mas apesar de selar e ainda assumir as secretarias, o PT - de uma hora para outra - mudou de idéia e lançou a candidatura própria do então deputado federal petista Walter Pinheiro (que acabou perdendo para João e há poucos meses conseguiu se emplacar na Secretaria Estadual de Planejamento).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dizem que política tem de ser tratada com frieza. Quanto mais frio e calculista o político, mais sucesso lhe reserva o futuro. Não vou bater boca com essa corrente de pensamento que é expressiva e conta com suas convicções. A democracia comporta desde as situações mais simples aos absurdos. No meu entender, porém, a política deve ser exercida tal qual o futebol: com profundas emoções, tristezas, alegrias, decepções, comemorações. Senão perde a graça. Diria que hoje vivemos na Bahia um cenário de indecisões e de revelações no campo político. A sucessão estadual, assunto que só deveria vir à baila ano que vem, já está nas ruas desde janeiro passado.

Se as eleições fossem hoje (ainda bem que só serão em 2010) teríamos definitivamente três concorrentes ao governo: Jaques Wagner, que quer a reeleição, o ex-governador Paulo Souto, que sente uma falta terrível do Palácio de Ondina, local por ele ocupado por oito anos intercalados, e o ministro Geddel Vieira Lima que quer mostrar ser craque naquilo - o naquilo aqui é significado de tocar a administração pública. Dinheiro e poder são objeto de todo ser humano. As candidaturas, pois, estão postas. Cada um dos três nomes citados tende a seguir trajetória própria.

A união entre o PMDB e o PT é coisa do passado aparentemente. Souto seguirá lépido e solto, apostando nos erros dos adversários para, adiante, divulgar os seus acertos. Teremos, enfim, um jogo emocionante. Esqueçamos por enquanto o quadro nacional. Vamos nos ater sobre o que ocorre sob nossos olhos e narizes. Os olhos veem uma confusão dos diabos e ameaças sistemáticas de uma aproximação dos peemedebistas com os petistas até aqui mal resolvida e um desejo contido do PMDB de agarrar-se ao Democratas, desde quando sejam eles - os peemedebistas- os donos do pedaço.

Democratas e PT fazem questão absoluta de manterem distância máxima um do outro. Isso é o que dizem nossos olhos. Já nossas narinas captam um odor estranho no ar. A sensação é a de que há um cheiro forte de algo já com data de validade vencida e, ao mesmo tempo, de elemento que pode renovar-se e alterar todo o cenário da política baiana. Há um fato que nos leva a uma previsão lógica: haverá segundo turno na Bahia. Wagner está longe de repetir o surpreendente desempenho de 2006. Ele sabe disso. Ele sabe dos riscos de uma reeleição. No mais, o exercício do poder, além de cansativo, é desgastante, embora por mais cansativo e desgastante que seja ninguém quer largar o osso.

Tanto é assim que quem está fora quer entrar e quem está dentro não quer sair de forma nenhuma. Hoje PMDB e PT, que eram irmãos siameses, se detestam, mas se toleram. Não conseguem resolver suas diferenças nem na mão grande. Já com o DEM, o PMDB sinaliza com a possibilidade de uma boa noitada. Uma não. Várias noitadas boas, desde quando suas aspirações políticas não sejam sufocadas.

Uma vez mantido esse bom relacionamento é óbvio que ambas as legendas estarão juntas no segundo turno na tentativa de derrotarem Wagner. O páreo será duro de doer. O governador terá de encarar Geddel, Souto e toda a sua turma, independentemente de ser o PMDB ou o DEM a sigla que ganhe o direito de ir para o segundo turno. Há - em política tudo é possível - inclusive a hipótese (improvável) de o PT perder a cadeira número um do funcionalismo público do Estado não indo ao segundo turno. Seria um desastre.

Deixemos, entretanto, que nossa mente entre em ebulição total e veja tal possibilidade como real. E aí o PT apoiaria Geddel ou Souto na segunda rodada eleitoral? Resposta: muito certamente nenhum dos dois. Para finalizar, há quem especule o retorno do entendimento político entre Wagner e Geddel. Os dois estariam, hoje, cumprindo um papel pré-estabelecido há alguns meses, mas na hora agá dar-se-ão os braços novamente. O meu íntimo não vê como viabilizar tal aproximação. E o seu íntimo o que diz?