quarta-feira, 15 de julho de 2009

POLÍTICA - Lúcio declara que Geddel é candidato na Bahia, Dilma terá um segundo palanque e, pela primeira vez, revela parte da conversa com Wagner na


O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, é candidato ao Palácio de Ondina, o governador Jaques Wagner que mantenha ou tire quem quiser e o PMDB vai ter aqui na Bahia o segundo palanque para Dilma Rousseff. Essas foram apenas algumas das declarações dadas pelo presidente estadual do partido, Lúcio Vieira Lima, durante entrevista ao Terra Magazine. É válido ressaltar que o PMDB possui o comando de três secretarias no governo petista: Infraestrutura (Batista Neves), Indústria, Comércio e Mineração (Rafael Amoedo), além de Ciência e Tecnologia (Ildes Ferreira).

O dirigente fez questão de ligar para o portal, nesta terça-feira (14), para esclarecer que foi o governador Jaques Wagner foi quem manifestou, durante reunião com os peemedebistas, de que havia uma preocupação do PT não apoiar numa eventual candidatura do ministro a senador, mesmo mantida a aliança - ao contrário como havia sido divulgado pelo Terra. Esta conversa aconteceu no último dia 18 de junho, no Palácio de Ondina, onde finalmente Geddel e Lúcio entregaram o famoso documento elaborado pelo PMDB que analisa a gestão do governo durante os dois anos e tece críticas à administração. Este encontro foi guardado a quatro chaves e, desde então, nenhum dos três divulgaram o teor do documento. Geddel e Lúcio alegaram que seria uma deselegância com o petista em divulgar o conteúdo do documento.

Já Wagner, por duas vezes se esquivou. No dia 25 de junho - quando foi transferida a sede do governo para o município de Cachoeira - o governador disse que não havia tido tempo para ler, já que um dia depois, embarcou para Argentina com sua família para descansar durante o período do São João. No desfile cívico do Dois de Julho (data em que se comemora a independência da Bahia e do Brasil), o petista declarou por inúmeras vezes que não revelaria o que estava escrito no documento, mas chegou a minimizar ressaltando que não havia nada demais. Diante da insistência, o governador declarando que já havia dito 100 vezes e que não iria mudar sua posição de que nas eleições de 2010, a aliança que o elegeu em 2006 seria ampliada. Entretanto, ao ser confrontado de que a cada dia que passava ficava mais nítido de que o PMDB poderia mesmo fazer carreira solo e lançar candidatura própria (ou seja, Geddel Vieira Lima para governador), Wagner disse apenas secamente: "vou desejar sucesso". Ao tentar esclarecer matéria do Terra Magazine, Lúcio acabou revelando, mesmo que muita pouca coisa, o conteúdo da conversa com Wagner na entrega do documento.

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Dizem que política tem de ser tratada com frieza. Quanto mais frio e calculista o político, mais sucesso lhe reserva o futuro. Não vou bater boca com essa corrente de pensamento que é expressiva e conta com suas convicções. A democracia comporta desde as situações mais simples aos absurdos. No meu entender, porém, a política deve ser exercida tal qual o futebol: com profundas emoções, tristezas, alegrias, decepções, comemorações. Senão perde a graça. Diria que hoje vivemos na Bahia um cenário de indecisões e de revelações no campo político. A sucessão estadual, assunto que só deveria vir à baila ano que vem, já está nas ruas desde janeiro passado.

Se as eleições fossem hoje (ainda bem que só serão em 2010) teríamos definitivamente três concorrentes ao governo: Jaques Wagner, que quer a reeleição, o ex-governador Paulo Souto, que sente uma falta terrível do Palácio de Ondina, local por ele ocupado por oito anos intercalados, e o ministro Geddel Vieira Lima que quer mostrar ser craque naquilo - o naquilo aqui é significado de tocar a administração pública. Dinheiro e poder são objeto de todo ser humano. As candidaturas, pois, estão postas. Cada um dos três nomes citados tende a seguir trajetória própria.

A união entre o PMDB e o PT é coisa do passado aparentemente. Souto seguirá lépido e solto, apostando nos erros dos adversários para, adiante, divulgar os seus acertos. Teremos, enfim, um jogo emocionante. Esqueçamos por enquanto o quadro nacional. Vamos nos ater sobre o que ocorre sob nossos olhos e narizes. Os olhos veem uma confusão dos diabos e ameaças sistemáticas de uma aproximação dos peemedebistas com os petistas até aqui mal resolvida e um desejo contido do PMDB de agarrar-se ao Democratas, desde quando sejam eles - os peemedebistas- os donos do pedaço.

Democratas e PT fazem questão absoluta de manterem distância máxima um do outro. Isso é o que dizem nossos olhos. Já nossas narinas captam um odor estranho no ar. A sensação é a de que há um cheiro forte de algo já com data de validade vencida e, ao mesmo tempo, de elemento que pode renovar-se e alterar todo o cenário da política baiana. Há um fato que nos leva a uma previsão lógica: haverá segundo turno na Bahia. Wagner está longe de repetir o surpreendente desempenho de 2006. Ele sabe disso. Ele sabe dos riscos de uma reeleição. No mais, o exercício do poder, além de cansativo, é desgastante, embora por mais cansativo e desgastante que seja ninguém quer largar o osso.

Tanto é assim que quem está fora quer entrar e quem está dentro não quer sair de forma nenhuma. Hoje PMDB e PT, que eram irmãos siameses, se detestam, mas se toleram. Não conseguem resolver suas diferenças nem na mão grande. Já com o DEM, o PMDB sinaliza com a possibilidade de uma boa noitada. Uma não. Várias noitadas boas, desde quando suas aspirações políticas não sejam sufocadas.

Uma vez mantido esse bom relacionamento é óbvio que ambas as legendas estarão juntas no segundo turno na tentativa de derrotarem Wagner. O páreo será duro de doer. O governador terá de encarar Geddel, Souto e toda a sua turma, independentemente de ser o PMDB ou o DEM a sigla que ganhe o direito de ir para o segundo turno. Há - em política tudo é possível - inclusive a hipótese (improvável) de o PT perder a cadeira número um do funcionalismo público do Estado não indo ao segundo turno. Seria um desastre.

Deixemos, entretanto, que nossa mente entre em ebulição total e veja tal possibilidade como real. E aí o PT apoiaria Geddel ou Souto na segunda rodada eleitoral? Resposta: muito certamente nenhum dos dois. Para finalizar, há quem especule o retorno do entendimento político entre Wagner e Geddel. Os dois estariam, hoje, cumprindo um papel pré-estabelecido há alguns meses, mas na hora agá dar-se-ão os braços novamente. O meu íntimo não vê como viabilizar tal aproximação. E o seu íntimo o que diz?